segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

E AGORA?!

Passado o rolo compressor que foi o fim semana e enquanto todos se perguntam o porquê, eu te pergunto: E agora?
Você foi inteligente o bastante para expor seu ponto de vista e idiota o bastante pra não estar aqui para ver o resultado.
Sim, digo idiota porque você nos deixa numa hora injusta e sem direito a réplica.

O primeiro sentimento que você me despertou com sua partida foi a raiva, uma vontade de te dar umas palmadas bem dadas pra ver se você acordava.

Mas depois, vendo todos se culpando injustamente, percebi que a raiva era apenas isso, uma culpa de não ter visto o que estava acontecendo, porque sempre achei que aquele seu jeito resmungão, de alguém que argumentava tudo, era sua fortaleza. E eu o admirava muito por essa força com que se impunha para todos e tudo.

Mas aí, enquanto chegavam aquelas mil coroas de flores, e amigos e mais amigos querendo se despedir, eu pude entender toda a angústia de uma pessoa solitária em seus pensamentos, que se via presa no labirinto de si mesma, vendo apenas as paredes, mas nunca as saídas. E que todo o amor e carinho pelo qual você estava cercado a todo momento (e em todos os lugares) não foram suficientes para te abrir os olhos.

E então, você quis nos dar seu argumento final.

Engano seu! Não pára por aqui! Seu argumento vai sim ser retrucado! E agora, daqui por diante, quando eu me sentir incapaz de realizar algo, quando alguém me subjugar, me menosprezar ou me desencorajar, quando eu tiver medo de ir em frente, quando eu me sentir sozinha em meus pensamentos, quando eu pensar em desistir ou achar que as dificuldades são maiores que os meus sonhos, eu vou lembrar de você e de todo aquele amor que eu vi ao seu redor. E então, cheia de coragem, vou levantar a cabeça, encher o peito de ar e seguir em frente porque essa será minha forma de te homenagear.
Um beijo, querido.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A virtude da genialidade

Se Alejandro Iñárritu não ganhar, no mínimo, o prêmio de melhor diretor, eu páro com o Oscar! Mesmo!
Como um colega de profissão acabou de descrever, "ainda não me recuperei, não sei se vou".
E nem comecei a falar do roteiro, dos atores e da trilha, toda feita com solos de bateria.
Simplesmente sensacional! Metalinguagem pura!
Um tapa na cara da cultura de culto às celebridades, uma reflexão sobre os caminhos da arte X entretenimento.
Com certeza, um filme que será analisado e dissecado em muitos cursos, por muitos anos.
Eu mesma vou ter que ver de novo (e de novo) pra conseguir fazer um texto que faça jus a genialidade desse filme.
Falamos em breve. Agora, vou ali procurar meu queixo..

Foi dada a largada!

A maratona começou há algumas semanas, mas a correria da vida real não me deixava escrever...
O JUIZ foi o primeiro, mas não achei nada excepcional, embora eu continue amando o RDJr.
Depois vi O GRANDE HOTEL BUDAPESTE, super bem produzido e tem o Ralph Fiennes em uma atuação graciosa. Uma comédia romântica com toque de Agatha Christie e gosto de cupcake. Delícia.
Aí veio o esperado BOYHOOD que já merece ser visto e aplaudido só pela ambição do projeto e comprometimento dos envolvidos.
GAROTA EXEMPLAR tem seus problemas, mas a atuação de Rosamund Pike me deixou sem fôlego. E fiquei com vontade de ler o livro, que me pareceu ter uma construção de trama bem engenhosa.
MESMO SE NADA DER CERTO tem músicas lindas e o filme está lá a serviço delas. E já valeu por isso. <3
LIVRE tem umas paisagens lindas e foi divertido ver a Reese Whiterspoon fazendo uma coisa diferente.
WHIPLASH suscitou discussões horrendas sobre a ode ao sadismo, mas eu discordo. Existe uma cumplicidade psicótica entre professor e aluno e aquela cena do final é de tirar o fôlego. Prefiro acreditar que o filme faz uma crítica à cultura americana e sua obsessão pela competitividade e perfeccionismo.
BIG EYES não é um filme de Tim Burton e muito menos parece ter grandes pretensões. Uma homenagem à artista Margaret D. H. Keane.
INTO THE WOODS é o pior filme que a Disney já fez, em todos os sentidos. Ainda estou tentando entender o que faz uma atriz como Meryl Streep se meter numa coisa dessas...

Bom, por enquanto é isso... Logo mais eu volto! E façam suas apostas!

A TEORIA DA VIDA

Se você quer ir ao cinema ver A TEORIA DE TUDO pra ver como Stephen Hawking ficou daquele jeito, não vá. Se você já viu e achou o filme superficial, eu sinto muito.
Primeiro, o filme é baseado no livro de memórias da Jane, a esposa e mãe dos três filhos deles.
Segundo, o filme não é uma biografia, mas uma linda história de amor, com enfoque na cumplicidade de um casal que se amou muito, apesar das adversidades e da forma nobre e brilhante como Stephen lidou e lida com sua doença. Uma lição de amor e determinação de um casal que não fazia daquela condição um melodrama.
Chorei horrores e super recomendo!
A trilha também é incrível e os atores... Como diz meu marido, uma atuação ao estilo "Ray" para Eddie Redmayne e muitas palmas para Felicity Jones.

O filme concorre ao Oscar 2015 nas categorias:
MELHOR FILME
MELHOR ATOR
MELHOR ATRIZ
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
MELHOR TRILHA SONORA

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Diálogos nossos de cada dia

Se você, iniciado ou não, acha que diálogo em filme (leia-se aqui: qualquer obra audiovisual) é só blá blá blá, pode parar de ler agora! Esse post não é pra você!

A coisa que definitivamente ACABA com meu tesão quando estou lendo roteiro é aquele diálogo óbvio, que passa a mesma informação que a imagem ou que parece ter saído de um romance ruim e que você jamais ouviria da boca de uma pessoa de verdade.
Será que é por isso que Tarantino e Allen são tão celebrados? #claro!

Diálogos são um elemento importantíssimo da história, do roteiro e, consequentemente, do filme. Sim, diálogo não é um acessório!!! E por incrível que pareça, tem muita gente (iniciada) que não sabe disso!!! #pasmem-se!

Não precisa ser cabeça, não precisa ser sempre inteligente ou engraçado, mas precisa ser oportuno. E quando é bem colocado, consegue ser cabeça, inteligente e engraçado, tudo ao mesmo tempo.

Minha gente, pelo amoooor, seja mais carinhosa com os diálogos! Eles devem acrescentar algo de novo e fresco ao que estamos vendo, devem dizer outras coisas sobre os personagens que os dizem, suas personalidades, medos, fragilidades, enfim, tudo isso aí!

Recomendo, pra começar a entender um pouco isso aqui, que assistam o filme "Pulp Fiction". E aceito comentários!

Beijovoulerquetemcoisapracarambaaqui

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quando trabalho é diversão e diversão é trabalho

Ontem parei pra fazer uma análise do meu trabalho e de como ele está em sintonia com o que eu considero "lazer"...
Atualmente estou lendo quatro livros, acompanhando quatro séries de TV, vendo um filme por semana, lendo um roteiro por dia e analisando uma porrada de material que não consigo nem quantificar.
Enquanto preparo uns posts mais elaborados sobre as coisas que ando assistindo, queria fazer uma observação sobre como essa rotina me tornou mais cética sobre tudo que tenho lido ou visto.
No trabalho, tento me distanciar ao máximo do material analisado, mas começo a acreditar que um pouco de emoção sempre ajuda a fazer uma avaliação mais profunda. Digo isso porque quando consigo me conectar com o material de alguma forma, o processo é sempre mais fluido, me entrego, me deixo levar e acabo tendo muito mais comentários a fazer.
O problema é quando o material não é bom(na minha opinião) ou quando há o menor sinal de ruído... É como se no meio do doce, viesse um gosto amargo. Como consequência, fico espremendo o cérebro, suando pra ter o que comentar, caçando as palavras certas pra não virar uma cri-crítica carrasca sem amor no coração.
Meu atual critério é tentar, como eu costumo dizer, "alcançar a poesia" do autor. Um olhar totalmente questionador. Enquanto leio ou assisto algo, tento entender o que o autor quis dizer com isso ou aquilo, que tipo de material é aquele, de onde vem, faço pesquisa das referências, mergulho naquele universo e observo quais sensações/emoções ele evoca em mim. Vale também ficar de olho e anotar as reações espontâneas que surgem no processo - elas me parecem as mais genuínas e certeiras. E quando você chega a conclusão de que não tem mesmo nada a dizer, deve ser porque não entendeu NADA ou o material não tinha mesmo NADA a dizer.
Sei que vai ter aquele que vai criticar, dizer que isso não é jeito de avaliar as coisas, blá, blá, blá...
Bem, esse é o meu jeito. E tem funcionado até aqui. Se isso mudar um dia, te aviso!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Cidade de Deus e a paixão fulminate

Peço desculpas pela demora em aparecer aqui, mas as novas atribuições no trabalho estão custando mais fosfato e tempo do que eu imaginava. De todo jeito, é positivo, então, aceitem! kkk
Bom, continuando as apresentações, difícil não contar outro momento importantíssimo, marco da minha vida, que definitivamente me levou para o Cinema (em todos os sentidos).
O ano é 2002. Tardiamente eu estava naquele momento "Que faculdade fazer" da vida. Cursinho, primeiro emprego pra ter aquele dinheirinho próprio, solteirices mil.
A vontade de escrever ainda era uma constante, mas eu realmente estava na dúvida de "pra onde" canalizar essa energia.
Determinada a prestar vestibular em pelo menos quatro instituições, antes de mais nada, eu precisava decidir qual curso fazer.
Todos os conselhos me levavam para o Jornalismo, o que me parecia coerente, mas nada excitante.
Eis que num certo dia de setembro, descobri que o Cinemark exibiria filmes brasileiros por duas notinhas de reais.
Eu queria muito ver "Cidade de Deus" porque tinha assistido uma matéria interessante sobre o trabalho com não-atores.
Aquele filme me causaria um misto de sentimentos, de esperança e euforia, que mudaria para sempre a minha vida. Era um novo cinema brasileiro que eu acabara de descobrir e me apaixonar perdidamente. E tive a certeza de que era aquilo que eu queria fazer.
O resto é história, mas só preciso dizer que acabei no curso de Rádio e TV da Faculdade Cásper Líbero, onde um professor de Cinema e uma professora de roteiro - e também roteirista - permitiram que eu continuasse trilhando esse caminho.
Dia desses, ouvi de um alguém que pouco me conhece que meus olhos brilham com uma verdade inevitável quando falo do desejo de ser roteirista.
Sei que a estrada é longa e que estou apenas nos primeiros quilômetros percorridos. Mas quando se busca algo com tanta verdade, não existem obstáculos, a viagem é deliciosa e a chegada... Bem, a chegada eu conto quando estiver lá!