sábado, 2 de agosto de 2025
FEELINGS ARE FEELINGS
segunda-feira, 14 de julho de 2025
CARTA A UM VELHO AMIGO
Olá, quanto tempo não nos vemos e não nos falamos.
Hoje, sem muita explicação, acordei pensando em você.
Bateu uma saudade estranha, tive vontade de chorar.
Tive vontade de saber como você está, o que andou fazendo, as coisas que viveu e aprendeu, suas dores e alegrias. Como você está?
Engraçado é que envelhecemos, mas as memórias continuam jovens e vivas.
Lembrei-me do tempo em que convivemos, das coisas que vivemos juntos, das risadas, das lágrimas, dos encontros despretensiosos e de tudo que poderíamos ter vivido.
Não sei bem explicar o porquê, mas sua lembrança veio de repente, sem aviso, sem contexto, mas com um sentimento profundo de arrependimento.
Poderíamos ter sido e feito tantas coisas juntos, mas quis o destino e minhas neuras que isso não acontecesse. Não posso negar, me sinto culpada por isso.
Tive uma grande curiosidade em saber o que a gente poderia ter sido e vivido.
Eu te desejei em silêncio por longos oito anos, sonhei conosco, sofri por nós, e quando finalmente isso se tornou realidade, eu desisti de viver essas experiências e decidi, assim, sem motivos, te esquecer.
Hoje desejei saber o que você sentiu, se pensou em mim, em lutar por mim, ou se aceitou o que aconteceu como algo inevitável.
Escrevo para você, que nunca vai ler esta carta, mas escrevo, principalmente para mim, tentando colocar em palavras essa lembrança repentina, que veio carregada de emoções, lágrimas e de uma vontade imensa de revisitar o passado, de reescrevê-lo.
Não somos mais os mesmos, é verdade, mas o que vivemos, é único e é nosso. Será para sempre.
Talvez ainda exista amor em algum lugar do meu inconsciente e do meu coração. Afinal, por que agora, tantos anos depois, sem aviso, você voltou a habitar meus sonhos?
Seja como for, mesmo com esse gosto amargo de arrependimento, eu agradeço o tempo que tivemos e vivemos juntos.
Um abraço.
quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024
EU NÃO QUERO SER COMO BELLA BAXTER
Vamos aos fatos:
1) Bella Baxter é uma criança em um corpo de mulher. Se isso não lhe desperta algum gatilho, já temos um problema.
2) Bella é tratada como um experimento, por isso, sua vida é controlada e moldada a partir desse contexto. Daí seu desprezo pelo sentimental.
3) Depois, Bella está lá linda e inocente, explorando sua sexualidade, quando Duncan interrompe esse processo ao molestá-la. Mas Bella, cuja inocência não permite ver a maldade do ato, sai em uma aventura de descobertas pelo mundo com o tal abusador a tiracolo. Enquanto ela serve ao propósito de Duncan, ela é tratada como uma princesa. Mas, quando passa a compartilhar suas descobertas, é desprezada, enganada e acaba em um prostíbulo.
4) Vocês vão me dizer que a estadia de Bella no prostíbulo foi fácil e prazerosa? Claramente, não. O que permite Bella sobreviver à situação é sua racionalidade ímpar, sua capacidade de pensar logicamente, tirando todo e qualquer sentimento da equação.
5) Quando retorna à sua casa, já há uma “substituta” em seu lugar, tão ou mais inocente do que ela própria, presa, da mesma forma, àquele contexto limitador.
Eu fico vendo a comoção em torno da “genialidade” de POBRES CRIATURAS e não consigo deixar de pensar na ironia desse título. Para que Bella exerça sua liberdade, ela precisa ignorar a crueldade de um mundo machista ao seu redor. Um mundo que a considera estranha, mas desde que ela não interfira em seu funcionamento.
Eu admiro a capacidade de Bella em lidar com tanta racionalidade em um mundo que condena o "sexo frágil", mas não a invejo. Essa capacidade de racionalizar sobre tantas sensações poderia sim privar as mulheres de tanto sofrimento, porém, não sentir nada quer dizer NÃO SENTIR NADA. Mesmo. E não creio que a racionalidade seja capaz de dar conta de uma existência inteira. Os sentimentos e experiências que vivemos criam sinapses que formam quem somos e como agimos. É a nossa capacidade de sentir que faz o mundo não ser tão preto no branco porque o mundo não é preto e branco e na natureza não existem linhas retas.
Então, o que Bella Baxter tem a nos ensinar? Emancipação? Duvido. Sempre que penso nisso, vem um gosto amargo de que mulheres sentimentais não tem espaço nessa emancipação. E sabemos o que acontece com sentimentos reprimidos, não é mesmo?
Que modelo de empoderamento é esse que estamos tentando vender?
Bella Baxter me incomoda em muitas camadas. Ela não questiona o universo masculino, ela apenas o ignora e vive apesar dele. Será que esse é o caminho?
Eu quero sim a emancipação, mas que ela possa vir com o direito de sentir, de me emocionar, de me apaixonar, de amar e ser também coração.
Não vejo isso em Bella. Gostaria de ter visto.
Abençoadas sejam as emocionadas porque sentir não é pecado!
quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
2023, não preciso da sua retrospectiva!
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
Eu tenho chorado...
Eu tenho chorado pela dor física
Eu tenho chorado pela alma
Eu choro com as imagens
Eu choro com as lembranças
Doces e amargas
Passadas e futuras
Meu corpo dói
Meu coração dói
Eu tenho chorado pelas risadas debochadas
Eu tenho chorado pelo descaso
Eu choro de tristeza
Eu choro de alegria
Agridoce sentimento
Passado e presente
Que faz meu corpo doer tanto
Que me dá náuseas
Que me dá azia
Eu tenho chorado pra expurgar
Pra esquecer
Pra lembrar
Pra resistir
E pra morrer
Eu tenho chorado muito.
quinta-feira, 10 de agosto de 2023
QUAL O VALOR DA CRIAÇÃO?
Será mesmo que o trabalho da criação audiovisual se encerra na folha de papel?
Um dia alguém escreveu uma banana, mas no processo, alguém achou que deveria ser maçã, uva, laranja e no fim das contas, o que estamos vendo na tela é um abacaxi. Bem azedo. Produtos mal resolvidos, equivocados, confusos. Os Frankenstein nossos de cada dia. A essência se perde e o resultado fica aquém. Se é frustrante pro público, imagina para quem criou a coisa e dormiu com ela noites a fio!
Temos acompanhado as greves do sindicato americano de roteiristas justamente pela devida valorização do trabalho da autoria-criadora. E vejam que lá, uma das indústrias mais consolidadas do mundo, autores tem bem mais voz e são contemplados como produtores executivos de suas séries. E mesmo assim, estão reivindicando melhores condições de trabalho e remuneração.
O Brasil adentrou o mercado da narrativa seriada usando o modelo importado do cinema autoral, em que a direção geral é a voz máxima dentro de um projeto audiovisual. Acontece que, na grande maioria das vezes, essa direção entra depois que a série está criada, construída e escrita. Na teledramaturgia brasileira, a pessoa que criou, a pessoa que assina a autoria da novela, é a autoridade máxima da concepção artística. É dela que vem as diretrizes para direção, elenco, arte e o que mais abrange a criação. Obviamente que o diálogo entre entre as partes é uma via de mão dupla e as trocas são necessárias e agregadoras, mas quem segue sendo a guardiã unificadora da criação, até a novela sair do ar, é quem criou a coisa. Você pode até não gostar de novela, mas não pode negar que é um produto sólido que, em grande maioria, não se perde na unicidade de sua essência.
Já as narrativas seriadas não tem esse privilégio. O mercado trata os criadores como simples operários à serviço do papel. Roteiros são tachados de meros guias que deixam de existir uma vez que são filmados. A concepção artística dos criadores não é levada em consideração, existe pouca abertura para o diálogo e a unidade criativa vai se esvaindo a cada nova etapa de produção. Criadores não são contemplados na conversa após o desenvolvimento, raramente estão nos sets de filmagem e, quando muito, são chamadas à ilha de edição para ver o resultado de algo que não poderão opinar. Produtores opinam, executivos de canais opinam, executivos de marketing opinam, diretores, montadores e chefes de equipe opinam, até o elenco opina. Mas a pessoa que criou, escreveu, passou meses gestando a história, os personagens, o universo, criando, dando vida àquela obra, é a primeira peça a ser descartada no processo. E a mais frágil também. Ou porque teve que vender sua alma para seguir pagando seus boletos e não está com saúde pra lutar por seu devido espaço. Ou porque tem medo de ser queimada no mercado como uma pessoa "difícil". Ou porque resolveu não lutar contra essa cultura equivocada de empoderar sempre as mesmas pessoas a fazerem as mesmas coisas porque são "as donas do brinquedo".
Ah, mais a pessoa que escreveu não entende de direção, de montagem, de mercado, de marketing, de coisa nenhuma - eles dirão. Além de ser um equívoco imenso, porque sim, cada vez mais os profissionais tem se preparado para o mercado, tem estudado, acumulado experiências e participado, mesmo que sem ganhar nenhum tostão, do processo todo para garantir uma chancela, o papel da pessoa que escreveu não é dirigir, nem montar, nem vender, nem marquetar sua série. A função dela é garantir que sua criação acompanhe uma unidade criativa, que todas as áreas estejam falando a mesma língua e saibam o que essa pessoa estava pensando em dizer, mostrar, quando criou sua obra. Para as outras funções, já temos pessoas bem competentes contratadas.
Há de se pensar se esse modelo que aniquila criadores no processo de produção é saudável, agregador, se ele promove a dita diversidade ou se ele vai atender às expectativas de um público cada vez mais exigente e letrado. Há de se pensar se será possível fazer a roda girar quando criadores se unirem e abandonarem, literalmente, seus papéis para reivindicar mais respeito, mais espaço, mais diálogo, mais participação.
Talvez, nesse dia, quando a coisa toda colapsar e nem o ChatGPT for capaz de contar nossas histórias, o mercado perceba que o roteiro, a criação, não é apenas um guia, mas a alma de todo produto audiovisual.
quarta-feira, 6 de abril de 2022
A MODA AGORA É SER SHOWRUNNER
Quantas vezes eu me pego lendo matérias sobre o lançamento de uma nova série e lá está o famigerado "crédito" de "showrunner". É um misto de vergonha e indignação por jornalistas que não se prestam a pesquisar as funções dos profissionais envolvidos e produtores e executivos que não ficam sequer constrangidos de carregar uma função que não exerceram. Sim, porque, para além do mico de não terem exercido, vale lembrar que a função de showrunner não é e nunca foi um crédito.
